Setor passará por consolidação no país

Fonte: Valor Economico

brq trench valor  Setor passará por consolidação no paísA busca por uma gestão mais profissionalizada e a qualificação dos profissionais têm sido os principais pontos de atenção das empresas brasileiras que buscam seu espaço no mercado de terceirização. “O modelo está ganhando maturidade, migrando da execução de projetos pontuais para a celebração de contratos de longo prazo, com níveis de serviço altos”, diz Benjamin Ribeiro Quadros, presidente da BRQ. Voltada à terceirização de sistemas, a empresa fundada em 1993 tem adotado medidas como a criação de um plano de sucessão interno para profissionalizar sua gestão. Hoje a BRQ emprega 2 mil profissionais, e pretende chegar a um faturamento de R$ 220 milhões em 2009.

Na Politec, a incorporação dos conceitos de governança corporativa se acelerou depois do investimento de US$ 100 milhões feito pelo Grupo Mitsubishi em 2008. Mas a empresa tem investido muito também na certificação de seus profissionais, principalmente na área dos sistemas de gestão da companhia SAP. “As empresas estão pedindo que os fornecedores e seus consultores sejam certificados nas tecnologias”, diz Alexandre Fonseca, diretor das áreas de utilidades públicas e telecomunicações da empresa. Com 5,5 mil profissionais, a Politec espera atingir, em três anos, um faturamento de R$ 1 bilhão.

Para Maria Cristina Machado Cortez, sócia do escritório Trench, Rossi e Watanabe, especializado em contratos de terceirização de tecnologia, o investimento é reflexo do melhor entendimento que o mercado tem ganhado sobre as atividades de terceirização. “Há oito anos, os clientes não conheciam seus processos nem o que podiam pedir dos fornecedores. Hoje eles já têm todos os requisitos bem detalhados.”

O passo seguinte à certificação das empresas nacionais de serviços de TI tende a ser a consolidação do setor. Companhias como Stefanini, CPM Braxis e Tivit, que estão entre as maiores desse mercado, têm realizado aquisições com regularidade, mas a maioria delas tem como alvo operações de pequeno porte. A fusão de grandes operações, dizem os analistas, é a única forma de essa companhias se protegerem do fôlego financeiro das multinacionais que atuam no país. Atualmente, o Brasil conta com 8,5 mil empresas dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e de prestação de serviços. Daquelas que atuam no desenvolvimento de sistemas, 94% são classificadas como micro e pequenas empresas.

Embora a exportação de software a partir do Brasil seja um mercado de grande potencial, a maioria das companhias desse setor – sejam nacionais ou estrangeiras – está atrás do mercado local de serviços. O Brasil, segundo estudo da empresa de pesquisas IDC, gastou US$ 15 bilhões com software em 2008, dos quais US$ 10 bilhões foram movimentados por serviços relacionados ao setor.

A atração pelo mercado brasileiro segue em alta, diz Luiz Mattar, presidente da Tivit, principalmente neste momento de crise. Para este ano, a empresa trabalha com uma meta de crescimento de 20%, atingindo um faturamento de R$ 1,08 bilhão. “Como nossos contratos são de longo prazo, em média 50 meses, ficamos mais protegidos de grandes turbulências”, comenta Mattar. “O primeiro semestre foi até melhor que o esperado.”(GB e AB)