Profissionais de finanças devem sair da zona de conforto

totvs gazeta 191108  Profissionais de finanças devem sair da zona de confortoPor causa das incertezas geradas pela crise, os executivos financeiros precisam arregaçar as mangas e redobrar os esforços para fornecer às empresas dados e análises para que elas consigam se orientar no meio das turbulências do mercado. Essa é a opinião de José Rogério Luiz, vice-presidente executivo e financeiro da Totvs, companhia especializada em desenvolvimento de software de gestão empresarial.

Nos últimos dias, por exemplo, ele viajou aos Estados Unidos e à Inglaterra para acompanhar de perto o impacto que a crise global está tendo nos países desenvolvidos. Do exterior, ele envia relatórios com suas observações à empresa. “O principal papel que o financeiro tem nesse momento é gerar informação que ajude a companhia a enfrentar a volatilidade. É preciso atuar como um farol”, orienta.

Ele sustenta que o profissional de finanças atual precisa ser mais flexível do que nunca. “Ele deve conhecer desde contabilidade até questões relacionadas a fusões e aquisições. E isso só ocorre se sair da zona de conforto e enfrentar riscos e desafios”, sentencia. Tal afirmação tem como base uma trajetória profissional diversificada. Luiz iniciou a carreira na PricewaterhouseCoopers. Aos 24 anos, tornou-se assessor da diretoria financeira da Embraer. Depois, passou pelo Citibank, Grupo Antarctica/Ambev e Klicknet. Na Totvs, onde está desde 2001, conduziu os processos de aquisição e consolidação das marcas Microsiga, Logocenter, RM Sistemas, Midbyte, BCS Sisjuri e Datasul.

A preocupação com o fluxo de informações parece uma tônica na trajetória de Luiz. As práticas de governança corporativa que implantou na Totvs chamaram a atenção dos seus colegas de profissão. Por isso, no próximo dia 26, ele receberá o Troféu Equilibrista, prêmio concedido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef/SP) ao executivo de finanças do ano. Eleito pelos associados da entidade, Luiz disputou o prêmio com outros dois pesos pesados da área: Alfredo Nicolau y Benito, diretor de finanças da Monsanto do Brasil, e Enéas César Neto, vice-presidente administrativo e financeiro da Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar).

De acordo com Walter Marcelo de Barros, presidente do conselho de administração da instituição, o prêmio é concedido em função da trajetória profissional do executivo. “Um dos destaques do Luiz foi o fato de ele ter conduzido o IPO [processo de abertura de capital] da Totvs. A empresa é um modelo de governança corporativa. Em função da gestão que tem, o que é uma exigência do Novo Mercado [segmento da Bolsa em que são negociadas ações de companhias que sejam mais transparentes com os investidores], ela está passando incólume pela crise. Suas práticas de governança se traduzem em boa gestão financeira”, destaca.

É a primeira vez que o executivo de uma empresa do Novo Mercado recebe a premiação. Para Luiz, trata-se de uma mudança na percepção do setor. “É uma quebra de paradigma. Os profissionais da área estão reconhecendo que não é necessário estar em uma companhia do mercado convencional, de grandes dimensões, para inovar.”

Fonte: Gazeta Mercantil