Porto Seguro deve puxar margem do Itaú
Fonte: Valor Econômico (Link para assinantes)
Parceria: Rentabilidade de 5,5% da carteira do banco deve caminhar para o patamar da seguradora, de 20%
O grande trunfo do Itaú Unibanco ao se associar com a Porto Seguro nos ramos de seguros de automóveis e residenciais será o ganho de rentabilidade com a operação. A margem das companhias independentes é historicamente maior do que as obtidas pelas empresas ligadas aos bancos.
No primeiro semestre deste ano, por exemplo, a Porto Seguro obteve margem de 19,8% nas suas operações, levando-se em conta as receitas com prêmios e descontando a sinistralidade e as despesas com comercialização. Por outro lado, o Itaú Unibanco registrou margem de 5,5% no período, inferior aos 6,6% atingidos pelo Bradesco.
Outro exemplo de parceria entre banco e seguradora que apresenta alta rentabilidade é a Brasilveículos, entre a SulAmérica e o Banco do Brasil. A margem da companhia é de 23,3%, superior inclusive à da Porto Seguro.
A grande diferença entre as seguradoras de bancos e as independentes está na sinistralidade, ou seja, no controle da taxa de sinistros pagos pela companhia. O índice da Porto Seguro foi de 56,3% no período, contra 75,3% da seguradora do Itaú Unibanco, afirma Luis Roberto Castiglione, consultor e membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e do Instituto Roncarati de Seguros. “O canal do banco trabalha de forma muito massificada e não permite o controle efetivo da operação. Já a Porto é especialista nisso”, disse.
No longo prazo, acredita Castiglione, a carteira do banco transferida para a Porto Seguro poderá atingir rentabilidades bem próximas à da seguradora. Como exemplo, ele cita a carteira do Itaú Unibanco, cujos sinistros retidos somaram R$ 1,1 bilhão no primeiro semestre. Caso o índice de sinistralidade fosse o mesmo da Porto, a margem líquida seria 4,5 vezes maior para o banco.
Essa diferença pode expor os dois modelos adotados hoje entre os bancos. De um lado, há um aumento das parcerias entre as seguradoras, que buscam o balcão do varejo, e as instituições financeiras, que procuram ampliar a rentabilidade. Do outro, aparece o modelo do Bradesco, que administra sua própria carteira de maneira independente.
Segundo Mariana Taddeo, analista da Link Investimentos, o Bradesco está ficando um pouco para trás no movimento de consolidação do setor bancário. Na negociação com a Porto, o banco queria uma participação de 34% e ainda o direito de comprar mais 17%, para ter controle, enquanto a Porto queria manter-se a frente dos negócios. Sem sucesso, a seguradora se associou ao Itaú Unibanco, cedendo 30% de participação na empresa.
Anna Tavares de Mello, advogada do escritório Trench, Rossi e Watanabe lembra que mais de 80% das receitas do setor já estão na mão dos bancos, mas isso não necessariamente é um problema. A concentração pode não fazer com que os preços caiam, mas os produtos e serviços podem melhorar, acredita. Como exemplo, ela cita o setor de microsseguros, que pode atrair o interesse das seguradoras independentes. “Os grandes conglomerados não atendem os requisitos de preços desse mercado e a classe ‘c’ acaba procurando empresas com menores tarifas”, disse.









