Perigo na Internet: crescem os ataques de falsos antivírus

Fonte: Jornal A Tarde

jt menor Perigo na Internet: crescem os ataques de falsos antivírusOs internautas devem tomar cuidado com as ofertas de programas de antivírus gratuitos que encontram na internet: muitos são falsos. Em vez de proteger a máquina, esses programas vão atacá-la para destruir arquivos, além de roubar senhas e outros dados confidenciais.

De acordo com pesquisa feita pela Panda Security, multinacional especializada em segurança virtual, o número de antivírus falsos espalhados pela rede deve chegar a 600 mil até o final deste mês, um crescimento de 990% em relação aos 55 mil detectados ao longo de 2008.

Eduardo D’Antona, diretor executivo da Panda Security, explica que o perigo surge por meio de janelas, conhecidas como pop-ups, que podem abrir em qualquer site no qual o usuário navegue.

D’Antona alerta que o ataque se dá com um anúncio de que vírus foram detectados na máquina e depois com a oferta de instalação de um antivírus gratuito para eliminá-los. “Uma vez instalado o programa, o criminoso inicia o roubo de informações”, avisa.

De acordo com o executivo da Panda Security trata-se de produtos com marcas desconhecidas. Entre os problemas que um programa antivírus falso acarreta está o roubo de senhas e de outros dados confidenciais. Números da Panda Security mostram que há, atualmente, cerca de 35 milhões de computadores infectados em todo o mundo.

D’Antona recomenda que antes de aceitar a alternativa de instalação, o usuário verifique se o produto é comercializado em lojas virtuais conhecidas e que tenham também unidades físicas.

Eduardo Godinho, gerente técnico da Trend Micro, também especializada em segurança virtual, afirma que em vez de livrar o computador de vírus, são produtos que possibilitam aos autores do delito enviar cada vez mais vírus à máquina infectada.

Godinho explica que além do roubo de senhas, são muito comuns as variações que passam a cobrar pelo trabalho tempos depois de instaladas fingindo remover algo que não existe ou que os próprios antivírus falsos inocularam no computador.

O gerente da Trend Micro avisa que um dos programas elimina o dispositivo da máquina responsável por identificar o endereço digitado pelo usuário. Assim, mesmo que o endereço esteja correto, a máquina acaba sendo direcionada para uma página falsa. “Se a página contiver erros de tradução ou palavras escritas de forma incorreta não insira nenhum dado”, recomenda. Segundo Godinho, os falsos antivírus podem aparecer em páginas de notícias e links para fotos, entre outras fontes.

Compartilhamento
Marcelo Ocano, professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), alerta que as páginas de conteúdo não supervisionado, como sites pornográficos e programas que permitem o compartilhamento de arquivos, como fotos e música, são mais vulneráveis e podem transformar-se em instrumento dos antivírus falsos para chegar ao usuário final.

Ele sugere que antes de baixar um antivírus gratuito o internauta verifique a marca. “Prefira produtos de empresas conhecidas”, recomenda. Segundo ele, destruir arquivos seria o menor dos problemas. O mais grave, avalia Ocano, é ter senhas bancárias e possíveis dados de cartões de crédito roubados.

Lentidão
O gestor comercial Emerson Santos Pereira, 27 anos, foi vítima de um antivírus falso há cerca de um mês. Pereira conta que, enquanto navegava por um site de relacionamento, recebeu a informação, via pop-up, que seu computador estava infectado e que para limpá-lo bastava instalar, de graça, o antivírus oferecido. “Fiz e, dias depois, percebi meu computador mais lento”, diz.

Pereira percebeu que o problema era mais grave quando ao acessar o site do banco do qual é correntista, foi parar em um site falso, que continha erros de português, letras desalinhadas e solicitou a senha mais de uma vez, outro indício de fraude. “Fui ao banco e troquei todas as senhas antes que tivesse prejuízo maior”, diz.