Parceria suprirá escassez de profissional de TI

Fonte: Brasil Econômico

Há uma lacuna de mão de obra especializada para o setor de tecnologia da informação (TI). Para o aluno em busca de áreas promissoras no mercado de trabalho, eis uma notícia alentadora. Para a academia, um sinal evidente do descompasso entre a evolução tecnológica e o modelo clássico da universidade. Para as empresas desse segmento, motivo de preocupação.

A simetria entre faculdade e empregador no que se refere aos problemas não se repete no cotidiano dessa relação há algum tempo. Houve um distanciamento por parte dos cursos superiores da realidade do mercado. O modelo de ensino ainda pouco aberto a mudanças tirou valor do diploma. E hoje uma certificação chancelada por uma Microsoft guarda mais valor.

Sob esse pano de fundo, surgiram algumas iniciativas visando encurtar essa distância. Uma parceria entre a Estácio Ensino Superior e o Exin, instituto internacional independente focado em desenvolver programas educacionais na área de TI, vai facilitar o acesso dos alunos da Estácio, a partir de julho, a um curso de Information Technology Infrastructure Library (Itil). Trata-se de uma biblioteca de melhores práticas de infraestrutura de TI.

Uma gama de recomendações sobre como a área de tecnologia de uma empresa deve trabalhar para manter as decisões técnicas alinhadas com as decisões estratégicas do negócio. “O profissional de tecnologia hoje sai da faculdade conhecendo bem a parte técnica, mas muitas vezes não tem a mínima ideia do que a empresa faz. Isso leva a uma série de riscos”, explica Marcos André Freitas, coordenador do curso, que trabalha com Itil desde 2005.

O programa é desenvolvido de acordo com as regras oficiais de credenciamento internacionais. Palavra de Milena Andrade, gerente regional do Exin Brasil. O instituto realizou uma auditoria no material antes de entregá-lo. Segundo ela, complementar a bagagem técnica do aluno que sai da faculdade não é um problema só do Brasil. “As carências lá são as mesmas, estão começando a puxar o alinhamento com negócios para a formação e queremos fazer isso aqui também”, afirma.

Uma das barreiras para disseminação do conteúdo era o idioma. De origem inglesa, o material do Itil precisou ser traduzido. “Minha ideia é estimular a pesquisa. Consumimos muita literatura de fora e, assim, as empresas acabam se adequando a modelos internacionais que muitas vezes não são vistos no mercado brasileiro”, destaca Freitas.

Outras universidades devem trilhar o caminho da Estácio. E mais: Milena disse ter percebido abertura para no prazo de um, dois anos, levar o foco mais gerencial dentro do conceito da própria graduação.

Até porque as novas fronteiras de crescimento do setor no Brasil, considerado por investidores dono do maior potencial de crescimento em TI, têm exigido estratégias cada vez mais sólidas das empresas. Com antecipação, a Tivit, de serviços integrados de TI e terceirização dos processos de negócios, fechou uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP) para treinamento dos alunos de terceiro e quarto anos da Escola Politécnica, na área de Engenharia da Computação.

“Essa é uma realidade que tentamos superar fazendo programa de estágio, onde o aluno tem a oportunidade de vivenciar na prática a entrega de um serviço que vendemos”, declara Marcello Zappia, diretor de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Tivit, que teve uma receita bruta de R$ 1 bilhão em 2009, ano em que abriu capital na bolsa. Possui mais de 24 mil funcionários.


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