Incluir é preciso
Fonte: Você RH
Iniciativa de entidades como a Brasscom vem de encontro à necessidade das empresas de qualificar profissionais portadores de deficiência para atuarem no mercado de trabalho
Por Toni Mello
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil 14,5% da população tem alguma deficiência, o que representa 24,6 milhões de pessoas. No Estado de São Paulo esse número é de 4,1 milhões.
É consenso dentro das organizações a necessidade de incluir pessoas portadoras de deficiência nos quadros de funcionários. Para incentivar esse processo foi decretada, em 1991, a Lei Federal nº 8.213/1991 que prevê a contratação de pessoas com deficiência, porcentagem que varia de acordo com o número total de funcionários (artigo 93 da Lei).
Desde então, as empresas foram obrigadas a se adequarem a essa nova realidade. A Lei trouxe também uma maior conscientização por parte das organizações. Mas uma das maiores dificuldades encontradas pelas empresas ao buscarem esse tipo de profissional é a falta de qualificação adequada.
Por isso, Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e em Empresas de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (SINDPD), a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/SP) e a Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida do Município de São Paulo, se reuniram para ajudar as empresas a colocarem a Lei em prática.
Um acordo, assinado por essas entidades no mês passado, criou um pacto que pretende levar informações sobre a inserção social de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e capacitar mão de obra para atuar na área de Tecnologia da Informação (TI). A iniciativa, que acontece no Estado de São Paulo, está prevista para durar cinco anos e cumprir a meta de 80% do que determina a Lei.
O projeto começa com ações para pessoas que tiveram afecções de membros, ou seja, deficiência adquirida por algum motivo. Em geral, a pessoa nessa situação já tem a cultura do trabalho e a sua reabilitação e requalificação proporcionará a melhoria e o resgate da autoestima. O plano contempla algumas etapas: identificação, reabilitação física, adaptação a vida cotidiana, elevação da escolaridade e qualificação e requalificação profissional.
“É uma oportunidade de inserir novamente essa pessoa na sociedade por meio do trabalho, além de diminuir um ônus para a sociedade, pois torna esse cidadão ativo sob todos os aspectos”, argumenta Sérgio Sgobbi, diretor executivo da Brasscom.
Para Sgobbi, a Lei foi um avanço significativo, porém a adaptação é conquistada ao longo do tempo, com iniciativas que corroboram com esse marco legal. “No caso específico do pacto setorial de TI, há um trabalho junto aos gestores das empresas que se relacionarão com os PcD’s (pessoas com deficiência), bem como um assessoramento às questões arquitetônicas”.
O papel da Brasscom nesse processo é detectar as demandas do mercado em relação às capacitações requisitadas pelas empresas de TI, e criar grades de cursos junto a universidades parceiras para viabilizar a contratação desses profissionais por essas companhias. Na cidade de São Paulo as universidades que participam do projeto são: USP, UniNove e Universidade São Camilo.
Falta de informação, de sensibilização e conscientização são as maiores dificuldades apontadas por Sgobbi para o pleno desenvolvimento do projeto. Para ele, é preciso tratar esses profissionais com igualdade. “A partir do momento que os PcD’s são incorporados ao quadro de funcionários das empresas, estes são profissionais como qualquer outro. E isso vale tanto para a empresa como para o profissional”, sinaliza o diretor executivo da Brasscom.
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