HPV, perigo íntimo
Fonte: Especial Saúde é Vital!
Apesar de não ter preferência sexual, é nas mulheres que essa família de vírus desaforados causa o maior estrafo. Mas, graças aos avanços, hoje é fácil se vacinar e manter a ameaça distante. Saiba como e porque se proteger.
Nos anos 1970, enquanto mulheres exérimentavam o poder sobre seu corpo e a série Malu Mulher, da TV Globo, propunha em rede nacional o debate de tabus como o orgasmo e o aborto, o cientista alemão Herald Zur Hausen dava início a uma pesquisa histórica – um trabalho que modificou, inclusive, o jeito de viver a liberdade sexual nas décadas seguintes. Ele mostrou que desfrutar do prazer sem compromisso exige cuidados. O professor, vencedor do Nobel de Medicina de 2008, suspeitava que a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) mantinha um elo estreito com o câncer do colo de útero. Agora não restam dúvidas. “Hoje o HPV é a principal doença viral tranmitida pelo sexo. E ele está envolvido em praticamente todos os casos desse tumor”, afirma Luisa Lina Villa, diretora do Instituto Ludwing de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo. (…)
(…) Segundo Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, é essencial que exista um diálogo sincero, sem essa de culpar o outro. “O importante é que ambos façam o tratamento adequado e ponto”, recomenta. Quem já cuidou de uma lesão por HPV sabe que é preciso paciência. As verrugas, por exemplo, são tremendamente persistentes. Entre as opções de tratamento estão laser, substâncias químicas, bisturi elétrico, cremes e pomadas cicatrizantes. Em quem acabou de descobrir que está entre as vítimas do vírus não deve se desesperar. “Hoje existe o domínio total sobre o diagnóstico e o tratamento do HPV”, garante o ginecologista Rogério Ramires, do FEMME Laboratório da Mulher, em São Paulo. (…)
(…) A eficácia da vacina é alta: 95% de sucesso no combate aos principais causadores do câncer e, no caso da quadrivalente, proteção também contra os que mais provocam verruga genital. “Estudos já mostram os benefícios da vacinação em pessoas com mais de 26 anos e até em homens”, revela Thomas Broker, presidente da Sociedade Internacional de Papilomavírus. Ou seja, é muito provável que, em breve, ela também seja aplicada nesses públicos. O alemão Zur Hausen espera para o futuro novos imunizantes capazes de deter outros tipos de vírus. ” A vacina é a melhor maneira de barrar o HPV”, acredita. Palavra Nobel.






