Faltam novos talentos para o mainframe

Fonte: Valor Econômico

BMC Valor  Faltam novos talentos para o mainframe O mainframe não morreu. Os grandes computadores, preferidos por bancos e empresas de telecomunicações, continuam em alta no mercado de TI e abrem oportunidades de trabalho tanto para especialistas veteranos, entre 40 e 60 anos, como para iniciantes na carreira. “O Brasil é o terceiro país que mais compra essa solução no mundo, depois dos Estados Unidos e da Alemanha”, garante José Eduardo Vilela, gerente de relacionamento com universidades para a área de mainframe da IBM, que oferece os equipamentos há 45 anos.

Para acompanhar a evolução das máquinas, capacitar e renovar os quadros de funcionários, empresas como IBM, Bull e BMC Software investem em programas de treinamento. Ao lado de profissionais experientes, cada vez mais escassos no mercado, as companhias querem atrair “sangue novo” nos bancos das faculdades. Os salários servem como atrativo. Estão acima da média do mercado da área de TI e começam com R$ 7,5 mil mensais. “Mas podem chegar a R$ 20 mil, no caso de executivos seniores”, diz Ilana Lissker, sócia da Search Consultoria em Recursos Humanos.

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Na BMC Software, considerada uma das dez maiores empresas de software do mundo, com um faturamento de US$ 1,8 bilhão, mais de 40% dos contratos vêm da área de mainframe. Nos últimos três anos, a plataforma apresentou um crescimento de 56%, 60% e 62%, respectivamente, nos negócios da empresa. “Dos 5,8 mil funcionários em todo o mundo, cerca de 1,5 mil são especializados em mainframe”, diz Olimpio Pereira, diretor da unidade de serviços da área para a América Latina da BMC.

No Brasil, não é fácil encontrar especialistas na área, de acordo com Pereira. “O mainframe teve sua morte precocemente anunciada, o que eliminou investimentos em treinamento e desenvolvimento de pessoal”. A BMC combate o problema com cursos sob demanda e mantém sete colaboradores e parceiros para dar aulas sobre a tecnologia.

“A escassez de profissionais experientes atrai, cada vez mais, jovens interessados pelos salários do setor”, diz Alberto Araújo, diretor presidente da Bull América Latina. A empresa, dona de um faturamento de US$ 75 milhões, é uma das pioneiras da indústria do mainframe. O escritório regional tem 500 funcionários e 20 engenheiros especialistas na plataforma – a idade média da equipe técnica é de 34 anos.

“O conhecimento acumulado por esses profissionais é estratégico para a companhia, que reserva pelo menos dez dias úteis por ano para a formação dos técnicos”. Segundo Araújo, o advento do “cloud computing”, ou computação em nuvem, representa uma mudança fundamental na indústria de TI e deve ajudar a cultura dos mainframes a se destacar ainda mais nas empresas. “Para operar essa linha, fornecedores e clientes buscarão competências técnicas só existentes em profissionais com experiência no ambiente mainframe.”

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