Executivos querem de volta o bom e velho crachá

Fonte: Valor Econômico (Link para assinantes)

trench valor 220409  Executivos querem de volta o bom e velho cracháMárcio Weiler e Maria Angélica Gonçalves querem voltar a ser empregados. Ex-executivos de carreira de grandes corporações como Nestlé e Unilever, tiveram trajetórias de sucesso nas suas funções, mas resolveram deixar a vida corporativa para trás e abrir negócios próprios. Agora, depois da experiência como empreendedores, decidiram retornar aos escritórios, mesmo numa época de escassez de vagas nas empresas. Para especialistas em recrutamento, o caminho de volta de profissionais como Weiler e Angélica passa por entrevistas com headhunters e pela reativação do networking pessoal.

“É importante deixar a rede de relacionamentos informada sobre o interesse de retornar ao mundo corporativo e ainda ampliar os contatos existentes. Vale fazer cursos, frequentar eventos e aumentar a exposição no mercado”, aconselha Silvana Bock, diretora da Panelli Motta Cabrera (PMC), consultoria especializada na contratação de executivos para cargos de direção.

A boa notícia é que a experiência do candidato, dentro e fora de grandes corporações, continua tendo peso importante na guerra por uma vaga. Weiler, por exemplo, trabalhou 16 anos na Nestlé. Entrou para gerenciar uma linha de produto, trabalhou para o grupo na Inglaterra e saiu como gerente de marketing e inovação. Antes, havia dado expediente na Kolynos e Avon.

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De acordo com o advogado Fabio de Lima, coordenador da área trabalhista do escritório Trench, Rossi e Watanabe, as empresas querem aparar custos operacionais e a remuneração dos executivos está no olho do furacão. “Os limites para bônus e benefícios têm sido menores e, em contrapartida, as exigências para o alcance de metas são mais fortes. Não se pode esperar o mesmo nível salarial e prêmios que foram oferecidos no passado.”

Lima está envolvido com cinco negociações de contratação. Nos dois primeiros meses do ano, o advogado percebeu uma diminuição de cerca de 40% no volume de contratos, em comparação ao mesmo período de 2007. “O setor de TI é o que mais preenche vagas.”

Se depender das estimativas dos especialistas, o publicitário Edson Romão vai ter facilidade de escolha no seu retorno às corporações. Depois de 13 anos como empreendedor na área de internet, com projetos adquiridos por grandes empresas, ele pretende recomeçar do zero e voltar a colaborar para uma companhia, como fazia nos anos 1990.

“Quero voltar ao ambiente corporativo porque posso me concentrar melhor nos resultados, sem arcar com todas as atribuições que um empreendedor precisa administrar.” Para Romão, a vida dentro de uma corporação também permite facilidades que ele não pôde usufruir nos últimos anos, como tirar alguns dias de férias. “Mantenho meu perfil atualizado em redes sociais na internet e converso com amigos para que saibam que eu estou de volta ao mercado.”