Empresas fazem revisão de contratos no alto escalão

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trench valor100609  Empresas fazem revisão de contratos no alto escalãoCompanhias recorrem aos escritórios de advocacia para repensar salários e bônus

Por Jacílio Saraiva, para o Valor, de São Paulo -  Os contratos de executivos do primeiro escalão das grandes empresas estão sendo reformulados por conta da crise financeira. É o que afirmam ao Valor cinco escritórios de advocacia, especializados em direito trabalhista e empresarial. As principais alterações dizem respeito a pagamento de bônus, à troca de salário fixo por renda variável e ao aumento do controle sobre as atividades dos diretores.

A revisão, para baixo, de salários em novos acordos, chega a 30% . Ao mesmo tempo, cresce o volume de pedidos por seguro de responsabilidade ou Directors & Officers (D&O), apólice contratada pelas corporações para proteger funcionários em possíveis indenizações. Pelo menos 10% do total dos clientes das bancas já pediram revisão de contratos.

“Com a crise, os aumentos anuais nos salários, que antes passavam em branco, são agora questionados pelas matrizes. Surgem, assim, alternativas para evitar o agravamento de distorções nos rendimentos”, diz Hércules Celescuekci, sócio do grupo trabalhista do Trench, Rossi e Watanabe Advogados, com 1,3 mil clientes. Segundo o especialista, a moda de pagar bônus em parcela única para a alta cúpula das organizações também está acabando. “Agora, são duas ou mais parcelas anuais, que acompanham ainda uma revisão das metas previstas nos planos de bonificações.” Desde o início da desestabilização dos mercados, o escritório de Celescuekci já concedeu cerca de 400 consultas de revisão de contratos.

No escritório de advocacia Fortunato, Cunha, Zanão e Poliszezuk Advogados, especializado em direito sindical, trabalhista e empresarial, em um mês, duas companhias bateram na porta da banca para fazer mudanças contratuais. As alterações englobam flexibilização da jornada de trabalho e até redução de salários. O escritório tem 50 clientes e 30% são grandes empresas.

“A demanda acontece principalmente por conta da diminuição de faturamento puxada pela crise”, explica o sócio Marcos Vinicius Poliszezuk. “Um cliente da área metalúrgica, por exemplo, teve uma perda de 30% na produção e não conseguiu manter seus executivos com os mesmos salários.” Outra empresa aconselhada por Poliszezuk, do setor calçadista, precisou ajustar os contratos em 40% para baixo- e vai pagar a diferença em forma de renda variável. “As alterações são feitas com a participação dos sindicatos e somente é válida com o consentimento das partes.” As empresas preferiram não comentar as mudanças para preservar o valor de seus executivos no mercado.

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