Dinheiro em conta

Fonte: Revista Gallery Leaders

A Elucid, empresa nacional de consultoria de informática, está com tudo e não está prosa.

No momento, substitui a poderosa SAP num projeto, que se arrastava há dois anos, para implantação de um novo sistema de billing na Enersul (Empresa de Energia Elétrica de Mato Grosso do Sul S/A), um trabalho que agora não levará mais do que seis meses.

A concessionária matrogrossense do sul, que pertencia à Energia de Portugal, é responsável pelo abastecimento de energia elétrica para mais de 700 mil pessoas. Não é só: o quadro de funcionários da Elucid, com 275 pessoas no início do ano, incorporou mais 60 profissionais desde julho e deve terminar o ano com um total de 350 empregados.

E a empresa prepara-se para construir um novo data center e uma nova sede em São Paulo para atender às novas demandas do mercado, com previsão de gastos que beiram os R$ 10 milhões.

Além disso, para elevar suas receitas no segmento de energia, a Elucid desembolsou, este ano, cerca de R$ 2 milhões no desenvolvimento de uma solução voltada para a gestão de obras das companhias de energia, chamada de E-Obras. E, agora, espera o tilintar das moedas. Segundo Michael Wimert, presidente da Elucid, a demanda por billing está a todo vapor, muitos contratos serão fechados em 2009 e em 2010, enquanto o investimento no sistema de gestão de obras deve gerar um aumento de 10% no faturamento e aumentar a base de clientes da companhia. “Nosso faturamento vai passar dos R$ 84 milhões registrados em 2007 para perto de R$ 100 milhões este ano – e atingir R$ 135 milhões em 2010”, alardeia Wimert.

A evolução dos negócios da companhia e as projeções de um cenário de curto prazo, extremamente otimista, alteraram, inclusive, o ritmo das negociações em andamento dentro da organização com objetivo de captar novos acionistas.

“Foi um trabalho muito cansativo de análise de várias propostas de investidores estratégicos da indústria de TI, que levou de novembro de 2007 a abril deste ano. Nós estávamos considerando incorporar novos acionistas, mas as empresas interessadas olharam os nossos números, baseados na nossa expectativa de bons resultados, e queriam ter uma participação majoritária. Nosso objetivo, contudo, era ter só investidores minoritários, com participação acionária no capital da empresa de até 30%”, conta Wimert. A decisão foi manter a empresa com seu atual quadro de seis acionistas, por enquanto, e deixar aberta a opção para 2009 e 2010 de colocar parte das ações na Bolsa de Valores de São Paulo. “A intenção é captar alguns recursos que permitam financiar aquisições de empresas na área de consultoria”, confia o executivo.

Apesar de consumir boa parte do tempo no trabalho de negociação com investidores, a Elucid, segundo Wimert, direcionou um esforço razoável no desenvolvimento de novas ofertas de soluções de sistemas comerciais e de gestão de serviços de empresas do setor de utilities. O carro-chefe de aplicativos da companhia é o sistema de billing, que dá suporte aos processos de tarifação, arrecadação e faturamento das concessionárias de energia elétrica.

É um sistema similar ao billing da SAP, mas muitas empresas brasileiras que implantaram o ERP da software house alemã acabaram adotando o aplicativo da Elucid. “Teremos uma onda bastante grande de billing nos próximos anos”, acredita Wimert.

Outro ponto forte da estratégia da Elucid, conforme seu presidente, são as soluções de mobilidade. “Estamos oferecendo uma solução, denominada e-Mobile, que permite às empresas de vários segmentos de negócios controlar e monitorar, com segurança, as informações transmitidas em campo. É uma aplicação de mobilidade que independe do meio de comunicação – rádio, celular, modem ou satélite”, explica o executivo.

No caso de uma distribuidora de energia elétrica, por exemplo, o funcionário de campo, utilizando um PDA, depois de ler e coletar os dados na residência ou na empresa, pode imprimir instantaneamente a conta e entregar para os consumidores com total transparência. “É uma solução que deve explodir em vendas. Pelo menos 13 empresas do setor de energia estão em fase de adoção”, diz Wimert, citando os projetos de Celpa (Centrais Elétricas do Pará), Cemat (Centrais Elétricas Matogrossenses) e Celtins (Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins), empresas do Grupo Rede. “Em regiões remotas, a solução está preparada para trabalhar com o que estiver disponível em infra- estrutura, seja celular, ADSL ou até linha discada. Trata-se de uma solução robusta e escalável. Até o final do ano, as concessionárias do Grupo Rede terão cerca de dois mil PDAs em uso com grande variedade de tipos de ordens de serviços”, afirma Wimert.

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