Choque de gerações: o desafio de lidar com os diferentes perfis
São Paulo – Chegada da geração Y ao mercado de trabalho impõe às empresas a tarefa de administrar melhor suas equipes.
Leonardo Miranda tem 25 anos, está terminando o curso de Ciências da Computação e é um típico caso de profissional de tecnologia da chamada geração Y: cresceu em um ambiente digital, está plenamente adaptado às formas atuais de comunicação e colaboração propiciadas pelas tecnologias da internet e tem tendência a se entediar com trabalhos operacionais que não oferecem desafios.
Analisando um perfil como esse, ninguém apostaria que o jovem pudesse entrar em uma empresa para trabalhar com mainframe, uma das tecnologias computacionais mais antigas do setor. Mas foi exatamente isso o que aconteceu: após passar por um exigente processo seletivo, Leonardo entrou na Elumini, empresa de terceirização, e passou a atuar nessa área.
“Quando contei para meus amigos do ramo, não fui muito estimulado. Falaram que eu não ia gostar, que seria entediante, mas eu resolvi apostar na área e o resultado é que estou muito motivado, tanto pela dinâmica de trabalho quanto pelo relacionamento com os colegas com mais experiência”, relata Leonardo.
Ethelberto Mello, chefe de Leonardo na Elumini e gerente responsável pelos projetos de mainframe, vem da chamada geração X: cresceu em meio a tecnologias antigas, teve que se adaptar à internet e aos seus recursos quando já tinha um tempo de área e tem como maior expertise trabalhar com tecnologias já bem consolidadas. Foi ele quem liderou a escolha dos trainees, levando em consideração a realidade vivida pela geração posterior a sua.
“Meu problema maior, na verdade, é o fato de que não há mais formação específica para essa área. Tive de selecionar jovens com muito conhecimento de lógica, que poderiam se adaptar facilmente a esse ambiente, mas precisei gerenciar a equipe de forma a atender os anseios por desafios dessa nova geração”, explica.
O trabalho de Ethelberto foi extenso. Primeiro, teve de convencer os profissionais mais antigos que é importante equilibrar a força de trabalho da empresa com a inserção da geração Y para que a empresa pudesse dar conta de todas as demandas e, com isso, minar a resistência de compartilhar conhecimentos, coisa que os jovens fazem com mais naturalidade. Depois, precisou encontrar formas de gerenciar os mais novos para manter a motivação em alta.
“A solução encontrada foi colocar os trainees em um ambiente no qual é necessário trabalhar constantemente em novos desafios, ou seja, na área de análise. Assim, eles são levados a pensar o tempo todo sobre novas soluções e integração com outras arquiteturas, incluindo tecnologias inovadoras. Com essa receita, a gente pode formar profissionais capazes de fazer essa ponte entre o antigo e o novo”, descreve Ethelberto.
A grande surpresa, com todo esse cenário, foi a forma como os jovens se adaptaram bem ao dia-a-dia do trabalho e com as rotinas existentes na empresa. Leonardo é um exemplo: conciliou a vontade de aprender rapidamente e o anseio de encontrar formas alternativas para se chegar a uma meta com o ambiente que encontrou. “Dessa forma, percebo que a cada dia ganho mais maturidade e aprendo a ouvir melhor as pessoas para atingir um objetivo comum”, diz Leonardo.
Convivência pode gerar conflitos
Se a Elumini é um caso de convivência de gerações que deu certo, analistas norte-americanos considerariam o caso um conto de fadas. Foi nos EUA que surgiu o conceito de gerações Y, X e baby boomers, mas a realidade do país é muito diferente do que no Brasil, para a sorte dos profissionais daqui.
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