Cenário de crescimento na cadeia de construção

Fonte: Brasil Econômico

0803 Brasil Economico3 Cenário de crescimento na cadeia de construção As projeções otimistas de um momento especialmente favorável a vários segmentos da economia colaboram para um panorama que deverá transformar o cenário econômico brasileiro dos próximos anos, em especial no setor da construção civil que deve crescer 8,8% em 2010, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

Toda euforia em torno de bons negócios se deve aos indicadores favoráveis. O Banco Central, por exemplo, tem perspectivas de que o Produto Interno Bruto (PIB) atinja em 2010, 5,8% de crescimento. Para 2011, mecanismos internacionais prevêem um aumento entre 3,7% (Fundo Monetário Internacional – FMI) e 4,5% (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE) para o País. Já o Índice de Confiança da Indústria, medido pela da FGV bateu 113,6 pontos em janeiro, o maior nível desde julho de 2008 (113,7 pontos). Tudo isso dinamizado pela movimentação de toda a cadeia da construção civil em função da Copa e das Olimpíadas que atrairá investimentos para os segmentos de infraestrutura, imobiliário e varejo.

O levantamento da FGV indicando que 66,6%, das 1.141 empresas consultadas em janeiro, estimam uma melhora da situação dos negócios já no primeiro semestre de 2010, também sinaliza que haverá expansões e readequações a fim de atender a demanda de uma população com maior poder aquisitivo e mais acesso ao crédito.

Dessa forma, o varejo torna-se um grande termômetro da economia. Só no segmento de shopping centers há hoje 100 novos empreendimentos em construção no país, que devem abrir as portas nos próximos três anos, dos quais 40 ainda em 2010, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Só em 2009, os 22 shoppings inaugurados contribuíram para que o setor superasse a marca de 1 milhão de empregados. A expectativa é a de que mais 180 mil devam ser contratados em 2010.

Vale considerar que as perspectivas altamente favoráveis não são percebidas tão somente no mercado interno. Durante o Retail’s Big Show, a maior feira de varejo do mundo, que neste ano aconteceu em janeiro em Nova York (EUA), o Brasil esteve no centro das atenções, algo impensável anos atrás pelos mais pessimistas. Soluções genuinamente nacionais foram apresentadas como exemplos criativos de expansão de canais de venda, rentabilidade, modelos de atendimento, entre outros aspectos; impressionando executivos do mundo todo. Grandes redes varejistas brasileiras que anualmente participam do evento, sinalizaram expansões e investimentos.

O aumento do interesse estrangeiro por negócios no Brasil também desencadeia uma movimentação no segmento imobiliário e de mão de obra. Assim como no varejo, empresas de outros setores da economia terão que expandir a oferta de produtos e serviços, e consequentemente, aumentar seu espaço físico, seja em lojas ou escritórios. Com isso, haverá aumento de trabalho para as empresas de arquitetura e construção.

Com toda essa ebulição será fácil se perder em meio a um cenário contraditório: forte demanda versus falta de mão-de-obra qualificada. Por isso, nunca foi tão importante amarrar gestão à inovação. Num país em que, por décadas, a única convicção do mercado era a incerteza e em que a moeda nacional acordava com um nome diferente da noite anterior, o atual panorama se mostra promissor.

Porém, há que se ter cuidado. Vale considerar que, em decorrência da crise econômica, uma parcela significativa dos investimentos previstos para o ano passado, estruturados em grande parte por conta do aumento de 5,8% no PIB de 2008, foram adiados. Isso fez com que as estimativas oficiais para o PIB em 2009 não superassem os 0,1%, além de a Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) registrar uma queda 12,27% nas vendas da indústria de material de construção.

Agora, com o cenário favorável, empresas e Governo abrem seus caixas para novos investimentos. O problema é que a indústria brasileira da construção terá dificuldades de atender toda a demanda da cadeia produtiva. As estimativas são de que as vendas internas de material para construção aumentem 15,7% em 2010 e possam chegar a 77,7% até 2016, conforme estudo da FGV Projetos.

Os gargalos da indústria se mostrarão mais evidentes nesse período de crescimento. Pode acontecer aumento dos preços e prazos para a entrega e comprometimento no nível dos serviços. É nesse ponto que o empresariado que investir em mão-de-obra qualificada, em tecnologia e inovação terá mais condições de enfrentar adversidades.

A empresa brasileira sempre teve que enfrentar situações controversas para continuar no mercado e a criatividade foi uma das principais ferramentas para garantir essa sobrevivência. Por isso, será por meio das novas soluções que as empresas desse segmento irão se destacar. Nunca foi tão importante ser capaz de perceber e implementar funcionalidade, e dessa forma, unir eficiência a resultados financeiros. Sem dúvida, o mercado brasileiro terá que quebrar paradigmas se quiser pegar a onda do país das oportunidades.

Marcelo Lotito

Presidente da Marcap Engenharia, especialista em Negócios Internacionais pela San Diego State University